Somos livres, não é?
 
 
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  CENÁRIO  
  “ - Está a referir-se à questão de saber se nós tomamos decisões livres ou não ?
 - Sim! O que te parece ?
- Bem eu diria que somos livres. (...) Por exemplo eu vim aqui a Coimbra porque assim o decidi livremente. (...) O pai está a comer flocos porque assim o quis.
- Achas que sim ? Achas que estas decisões foram mesmo livres ?
- Quer dizer...uh... acho que sim, claro!
- Não terás vindo a Coimbra pelo facto de estares condicionado psicologicamente pelo facto de eu me encontrar doente ? Não estarei eu a comer esta papa por me achar condicionado fisiologicamente a ela ou por me revelar influenciado por um qualquer anúncio de televisão, sem que disso tenha consciência?  (...) Até que ponto somos mesmo livres ? Não se estará  a dar o caso de tomarmos decisões  que parecem ser livres mas que se formos a analisar a sua origem profunda, são condicionadas  por um número sem fim de factores, de cuja existência muitas vezes nem nos apercebemos ? Será que a livre vontade não passa afinal de uma ilusão ? Será que está tudo determinado, apesar de não termos consciência disso ?
Tomás remexeu-se na cadeira.
- Já percebi que essas perguntas trazem água no bico. (...) Qual é a resposta da ciência ? Somos livres ou não ?
- Essa é a grande dúvida, sorriu o pai com malícia. Se não me engano, o primeiro grande defensor do determinismo foi um grego chamado Leucipo. Ele afirmou que nada acontece por acaso e que tudo tem uma causa. Platão e Aristóteles, no entanto, pensavam de outra maneira e deixaram espaço aberto  à livre vontade, um ponto de vista que a Igreja adoptou. Convinha-lhe, não é? Se o homem tinha livre vontade, Deus ficava desresponsabilizado  de todo o mal que ocorria no mundo. Durante séculos prevaleceu assim a ideia de que os seres humanos dispõem de livre vontade. (in a Fórmula de Deus de José Rodrigues dos Santos - Lisboa: Gradiva, 2006,p271)


 
       
       
 
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